Ciência? Aberta!

Ni!

É com enorme alegria que escrevo sobre a formação do Grupo de trabalho em Ciência Aberta, apoiado pela Rede pelo Conhecimento Livre – OKFn Brasil. Após um chamado inicial para alguns pesquisadores que se destacavam em alguma modalidade de abertura científica, já compõem o grupo mais de 20 professores e pesquisadores em mais de 10 universidades espalhadas do norte ao sul e de leste a oeste do Brasil.

Ciência Aberta

Mas por que esse grupo? E o que é, afinal, Ciência Aberta?

Para entender, recobremos o ideal iluminista, por sua vez inspirado na antiguidade, sob o qual a ciência floresceu e sob cujas ramificações ela magnificou-se no século XX: a ciência é um bem compartilhado por todos os seres dotados de razão e atinge seu pontecial máximo quanto mais ampla e completa for a colaboração no seu desenvolvimento.

Esse ideal, ao longo da história da ciência moderna posterior ao recuo das censuras medievais, enfrentou primeiro barreiras tecnológicas para sua realização: comunicar era custoso e difícil, armazenar informação era impraticável sem caríssimas instituições. Mas, ao longo do século XX, essas barreiras foram gradualmente vencidas e, em sintonia com aquele ideal, impulsionaram seu avanço causando uma revolução inconcebível e tornando a ciência tão central para a organização da sociedade que, também nesse mesmo século, os ideais científicos chocaram-se frontalmente com forças circunstanciais de outras naturezas: sociais, políticas, econômicas e da próprica cultura científica do momento.

Ironicamente, a ciência que antes enfrentava desafios tecnológicos hoje deixa de usufruir do potencial total das tecnologias disponíveis em razão de dependências históricas as quais, mesmo que se assuma destinadas à superação, ainda por muitas décadas resistirão, num luta onde, sem exagero, distinguir-se-ão os que alçam a ciência à contemporaneidade daqueles que serão lembrados por cultuar o obscurantismo. Mas nem só em conflito virão mudanças, pois também são muitas as inovações surgindo espontaneamente e, talvez, em sua maioria ainda sequer foram identificadas.

Ao conjunto dessas tendências de atualizar a prática da ciência na direção do seu ideal, abrindo-se ao uso das novas tecnologias, chama-se Ciência Aberta. Eis algumas frentes já identificadas desse processo:

  • Acesso aberto a publicações científicas
  • Dados científicos abertos
  • Ferramentas científicas abertas
  • Ciência cidadã
  • Recursos educacionais abertos
  • Wikipesquisas

Três delas são mais conhecidas do público, os movimentos por abertura do acesso às publicações, dados científicos e recursos educacionais. Todos esses dizem respeito ao compartilhamento das informações científicas absolutamente sem restrições, salvo o respeito ao crédito segundo a ética científica.

Três outras, contudo, merecem uma explicação:

Ferramentas científicas abertas: o desenvolvimento de padrões, softwares, hardwares, insumos, metodologias e instrumentos de pesquisa como recurso comum

Ciência cidadã: metodologias que se valem da contribuição direta de cidadãos com recursos, cognição, dados e propriamente como pesquisadores

Wikipesquisas: metodologias para desenvolvimento do processo científico em registro público imediato e permanente, com colaboração aberta a todos

Por fim, junto a essas tendências, surge a necessidade de pesquisar e atualizar também os conceitos de validação – como na revisão por pares – e mérito – como na produtividade acadêmica.

Muito bem, agora você já sabe do que se trata a Ciência Aberta!

A missão do grupo de trabalho será avançar uma sociedade onde as únicas barreiras para qualquer ser humano – ou membro de outra espécie dotada de razão – participar plenamente da produção científica sejam seu interesse, sua disponibilidade e o custo material das ferramentas.

Isso em grande medida já é possível hoje, bastaria as tendências acima serem incorporadas gradualmente como mandatos institucionais associados ao fomento à pesquisa e aos cargos acadêmicos, algo que a sociedade, como financiadora maior e melhor do empreendimento científico, tem o direito democrático de exigir.

Lembremos que a propriedade evolutiva – recombinante e incremental – do conhecimento, que deu origem ao ideal científico de colaboração competitiva, foi modelo para todos os processos de abertura nas sociedades humanas. Para além do avanço da própria ciência, explorar seu potencial significa expandir nossa capacidade de construir sociedades mais abertas, justas e sustentáveis.

Aos pesquisadores interessados em participar, entrem em contato. Em breve divulgaremos aqui mais notícias referentes às atividades do grupo, como o primeiro Encontro de Acadêmicos pelo Conhecimento Livre.

Saudações,

ale

.~´

8 thoughts on “Ciência? Aberta!”

  1. Muito boa iniciativa, parabéns aos envolvidos. Mas, quem editou essa foto do artigo devia estar usando linha de comando …. Acho que foi o único cara que aparece mais de uma vez nas fotos.

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado Campos obrigatórios são marcados *