“A comunidade de dados abertos já está alcançando um certo nível de maturidade”, afirma a pesquisadora Gisele Craveiro, da ILDA

Gisele Craveiro contribuiu, no primeiro dia da ConDatos, num painel sobre transparência orçamentária e dados abertos. Ela teve a oportunidade de falar sobre o tema da pesquisa que vem fazendo com a ILDA, a Iniciativa Latinoamericana de Dados Abertos, por meio da Open Knowledge Brasil.

A Iniciativa contratou 7 pesquisadores de diferentes países da América Latina e cada um deles trabalha com um tema específico, relacionando dados abertos a políticas públicas.

Craveiro pesquisa dados abertos e transparência orçamentária na América Latina, olhando o ecossistema sob o ponto de vista do intermediário. Ela afirma não ter mapeado todo o ecossistema da transparência e dos dados abertos na América Latina, mas diz feito um recorte sobre como o intermediário vê a possibilidade de participação em determinados produtos, em torno da oferta, demanda e consumo de dados orçamentários abertos.

O estudo da pesquisadora, que engloba 4 cidades — Buenos Aires, Montevidéu, São Paulo e Cidade do México, — já foi finalizado e encontra-se atualmente na etapa de revisão final. A previsão de lançamento do resultado é ainda este ano, apesar de não haver uma data especifica. No entanto, informações preliminares já foram publicadas por Gisele em alguns artigos para seminários nacionais e internacionais.

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Gisele Craveiro, Jamila Venturini, Natália Mazotte, Everton Zanella e Marco Túlio Pires na Abrelatam/Condatos.

Como resultado do que foi produzido durante a Abrelatam/ConDatos, Gisele destaca o post do Márcio Vasconcelos, que contém críticas bastante lúcidas e moderadas ao movimento de dados abertos, relacionado a um debate sobre a Carta Internacional de Dados Abertos, lançada no evento. O post foi o produto de uma série de reuniões paralelas a esse evento, na qual o grupo de pessoas envolvidas na construção da carta trabalharam intensamente. Entre os envolvidos na elaboração da carta, havia dois brasileiros: o próprio Márcio e Fernando Perrini, que trabalha no IDRC (Canadá).

A pesquisadora avalia como positivo o amadurecimento da comunidade de dados abertos: “A comunidade de dados abertos, tanto local, regional e internacionalmente, já está alcançando um certo nível de maturidade. Já existem pessoas que estão há mais de quatro anos no movimento de dados abertos e querem que ele avance agora. As primeiras tentativas, as primeiras políticas, a primeira volta da espiral, para muita gente, já aconteceu. Você vê o movimento de uma comunidade olhando para os próximos passos, refletindo criticamente sobre o passado e vendo o que vale a pena ser replicado e ser aprimorado.”

E ressalta os desafios dos próximos eventos: “Ao mesmo tempo que você quer avançar, como fazer isso de uma forma que você ainda mantenha a inclusão de novos atores? Como combinar largura com profundidade? Isso deve se refletir no próximos eventos do Condatos/Abrelatam. Os eventos vão ter que pensar em formatos que contenham níveis básicos, abertos e inclusivos para os novos atores poderem chegar e compartilhar as primeiras dúvidas com a parte da comunidade que já experimentou e já tem uma reflexão crítica e quer avançar para os próximos estágios. Isso é bastante positivo, mostra que estamos amadurecendo como eventos.”

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