12 dicas para desenvolvimento de aplicativos cívicos

Aplicativos cívicos permitem que pessoas participem do desenvolvimento público através da tecnologia, com o objetivo de melhorar a qualidade de vida das pessoas, promover cidadania e debater novas políticas públicas sem a necessidade de autorização, permissão e de forma gratuita.

Crédito: Brendon Carson

Crédito: Brendon Carson

Para isto, estamos listando neste artigo alguns pontos importantes a serem refletidos na construção de uma solução cívica em um aplicativo.

1. Mantenha sua proposta de valor simples

O desenvolvimento de aplicativos deve ser baseado em uma proposta de valor clara e simples. Tente se concentrar em uma funcionalidade objetiva, evite desenvolver diversas funcionalidades ao mesmo tempo, pois caso isto ocorra talvez seja o cenário para se construir mais de um aplicativo. Uma proposta de valor clara e simples, pode ajudar o aplicativo a criar uma identificação e ser utilizado com mais facilidade pelo público alvo.

2. Conheça o público através de conversas constantes

Converse com o público que irá utilizar seu aplicativo, antes de desenvolver. Estas entrevistas são excelentes para validar desde da sua proposta de valor, até mesmo a linguagem que você irá usar para explicar o aplicativo e as “telas” (experiência) que você irá disponibilizar para os usuários utilizarem sua solução. Procure criar perguntas para validar sua ideia, leve um wireframe como material de apoio e verifique se a proposta de valor será percebida com facilidade.

3. Capacitação dos usuários

Mantendo a proposta de valor simples e conhecendo o seu público, você provavelmente terá uma boa ideia de qual será a dificuldade dos usuários em utilizar a plataforma, por isso desenvolva um plano para capacitar os usuários que você quer atingir. Inicialmente, seu plano pode contemplar uma boa documentação, mas trabalhe também com a hipótese de capacitações offline, além de permitir que desafios de compreensão da aplicação pelo usuário possam ser trabalhados através de UX/UI (User Experience/User Interface).

No Programa Cidades Sustentáveis, no qual há atualmente mais de 270 cidades brasileiras participantes que utilizam o IOTA (Indicators of Transparency and Accountability) para compartilhar os mesmos indicadores e boas práticas, é realizada uma capacitação de uso da plataforma pela Rede Nossa São Paulo. Mais de 400 pessoas de cerca de 130 cidades foram capacitadas a utilizarem a plataforma corretamente, um exemplo é o curso que aconteceu em Paraty e Betim.

4. Contexto local e dados geolocalizados

Além dos usuários, verifique também questões locais de onde você pretende utilizar a solução inicialmente, e torne isto como parâmetro da sua aplicação principalmente para que seja possível a replicação em outros locais. Sempre que possível, também adicione informações de geolocalização nos dados e trabalhe para que teu aplicativo possa lidar bem com a localização.

5. Alianças estratégicas para direcionamento e escalabilidade

Baseado em seus usuários, sua proposta de valor e o local onde você irá trabalhar inicialmente, busque identificar organizações e pessoas que possam trabalhar em conjunto com a aplicação para poder realmente gerar impacto. Um exemplo, se você esta trabalhando com uma solução sobre a saúde de crianças, busque uma ONG e um departamento do governo que trabalhe neste contexto para te ajudar a divulgar, desenvolver e atuar em cima do seu aplicativo.

6. Dados abertos geram integrações

É muito importante que os dados que você armazene, sejam de fácil integração e reutilizáveis por outros, mantenha o acesso através de uma API e download de dados em formatos abertos para que todos possam criar novos aplicativos baseado no teu. Uma boa abordagem é basear a API em uma arquitetura REST, e os dados estarem em padrões estruturados e de preferência com semântica e documentação sobre o uso deles.

Um exemplo interessante é a plataforma CKAN, o catálogo de dados mais utilizado atualmente por governos para disponibilizar suas bases de dados em formatos abertos. Além de ser um catalogo, ele também proporciona uma API para que todos os dados hospedados por ele sejam acessíveis e consultáveis, facilitando a integração por terceiros e a manipulação deles remotamente através de aplicativos.

7. Cross-platform para não gerar exclusão digital

Aplicativos têm de ser para todos, não devem depender uma plataforma específica para serem utilizados. Trabalhe com frameworks e metodologias onde seja capaz oferecer a sua aplicação para todas as plataformas (ou a maior parte delas), dessa maneira não criando uma exclusão digital. Um caso típico é disponibilizar um aplicativo apenas para um sistema operacional de celular, e não oferecer suporte para outros e nem via web, Atualmente, é interessante começar o projeto baseado em web e nos próximos passos realizar o desenvolvimento de aplicativos nativos para celulares.

8. Manutenção com colaboração

Facilite o cenário para que outras pessoas possam te ajudar no desenvolvimento e manutenção do software. Trabalhe com os códigos fontes em um repositório público, por exemplo, e mantenha versões atualizadas de seu aplicativo em períodos curtos. Desenvolva um “ChangeLog” e um canal de comunicação simples para que novos desenvolvedores possam ajudar.

9. Licenças para facilitar a reutilização

É essencial que você deixe claro qual a licença que escolheu para sua aplicação. Há diversas licenças disponíveis, então verifique qual é a melhor para o seu caso por meio desse verbete na Wikipedia. Não deixe de definir e mencionar qual a licença dos dados presentes na sua aplicação. Veja algumas delas no site Open Data Commons.

10. Privacidade sobre informações pessoais

É importante deixar claro para os usuários quais dados você esta armazenando, como você gerencia a questão de cookies e como você lida com as informações do usuário quando ele acessa seu aplicativo. Em alguns casos, você terá que lidar com dados sensíveis de pessoas, sejam eles dados pessoais ou informações que podem impactar na segurança do usuário e por isso é importante que você defina esta política e mantenha transparente como você garante a segurança do usuário.

11. Comunidade para colaboração constante

Reflita e faça um planejamento sobre como seu aplicativo pode desenvolver uma comunidade de usuários e desenvolvedores,. Para isso, é interessante que você tente determinar desde o início qual seria o provável senso de comunidade, ou seja, quem seriam as pessoas e organizações que participariam e quais as motivações delas em se juntarem para formar uma comunidade. Quando há comunidade, as chances de manutenção, expansão, desenvolvimento de novas alianças estratégicas e impacto são maiores.

12. Sustentabilidade financeira para continuidade

O desenvolvimento do aplicativo cívico poderá ser realizado e mantido com esforços e necessitam de recursos. É importante a criação de um plano que contemple os passos até aqui comentados. Estes passos provavelmente serão um bom caminho para encontrar uma forma de financiamento para seu aplicativo, seja por meio de alianças estratégicas, de fundações que trabalhem como investidores de impacto social ou por atores que são responsáveis ou têm interesse em oferecer aplicativos cívicos.

One thought on “12 dicas para desenvolvimento de aplicativos cívicos”

  1. Parabéns Thiago. Ótimas dicas. Você é uma pessoa generosa. Essas questões são importantes para ampliar o desenvolvimento de aplicativos cívicos para a melhorias de vida dos cidadãos e da sociedade.

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