Em entrevista para a OKBR, Santiago Siri fala sobre a nova plataforma de democracia líquida

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Está perto o dia em que qualquer cidadão poderá acompanhar as votações em tempo real de forma simples, segura e transparente. Essa é uma das possibilidades prometidas pela plataforma Democracy.Earth, idealizada pelos empreendedores argentinos Santiago Siri e Pia Mancini. Descentralização política e tecnologia blockchain são algumas das principais inspirações.

Segundo Siri, a plataforma tem dois focos principais: guardar informação em um sistema blockchain que garanta que qualquer cidadão possa auditar as eleições sem pedir permissão para acessar os servidores; e democracia líquida para gerar formas de decisão coletiva mais inteligentes. “Esperamos lançar a plataforma nos primeiros meses de 2017”, diz.

A seguir, acompanhe a entrevista de Santiago Siri para a OKBR sobre esta nova iniciativa:

Open Knowledge Brasil: Gostaríamos de saber qual o motivo principal que move a criação do Democracy Earth? O que estimula o uso no dia a dia, no cotidiano das pessoas para compreendermos de fato qual é a utilidade dessa tecnologia? Santiago: Nosso primeiro piloto foi um plebiscito digital que fizemos para a Colômbia, raiz do plebiscito oficial pelos acordos de paz (plebiscitodigital.co). Nosso objetivo é promover a democracia em dois aspectos fundamentais: primeiro, a tecnologia descentralizada, onde a capacidade de auditar os resultados está nas mãos de todos os cidadãos. Segundo, formas mais avançadas de decisão coletiva, como a democracia líquida e outras formas que só podem ser feitos com software. Estamos trabalhando com a mesma tecnologia usada para bitcoin e outras inovações da Internet como um novo contexto para todas as transações online.

Open Knowledge Brasil: Fazer o eleitor contabilizar os votos de maneira independente é interessante, mas por qual motivo o eleitor faria isso?  Santiago: Não somente se trata de implementar a votação, mas também permitir a criação de instituições 100% digitais que operam sobre uma jurisdição na internet sem reconhecimento de fronteiras nacionais de nenhum tipo. Isso traz inovações, como o blockchain.

Open Knowledge Brasil: Democracy Earth tem um país como foco de atuação? Santiago: Estamos implementando pilotos em locais específicos para testar a tecnologia. O mais importante atualmente é na Colômbia com o plebiscitodigital.co, onde envolvemos os colombianos que vivem no exterior no referendo para ratificar o processo de paz iniciado entre o governo e as FARC. O nosso objetivo é disponibilizar a plataforma para qualquer região do mundo.

Open Knowledge Brasil: O que assegura a transparência da plataforma? Santiago: O uso da tecnologia descentralizada é indispensável para garantir que os votos possam ser contados por qualquer um e não uma autoridade central que corre o risco de ser corrompida.

Open Knowledge Brasil: Como o blockchain está sendo utilizado na plataforma e qual é a importância dessa utilização? Santiago: A sua importância é total. Nossa linha de desenvolvimento está focada particularmente em usar o blockchain de bitcoin – dado que é mais forte desde o ponto de vista computacional (e é mais seguro). Nossa meta é garantir que todos os eleitores possam verificar se o seu voto foi contado corretamente sem pedir qualquer permissão.

Open Knowledge Brasil: Quais são os maiores desafios que vocês enfrentam? Santiago: Trabalhar com tecnologia descentralizada como o blockchain implica revisar vários conceitos de como construir um software. É indispensável, também, construir política e culturalmente uma narrativa relacionada implicando a democracia na Internet.

Open Knowledge Brasil: Como visualizam a aplicação direta de uma governança descentralizada com a plataforma? Santiago: A plataforma não é somente útil para votar em instituições existentes, mas também permite construir novas formas institucionais que operam de forma completamente digital usando blockchain para certificar tanto votações como transações econômicas. Esses novos modelos institucionais são parte do que queremos investigar depois de um novo modelo da soberania digital.

Open Knowledge Brasil: Já chegaram a conversar com alguns políticos sobre a plataforma? Qual foi o feedback? Santiago: Já sim, com muitos políticos, ONGs, partidos e governos no nível local e federal. Nosso objetivo é empoderar o cidadão e não o intermediário. Por isso, temos construído a nossa estratégia a favor de usar a tecnologia descentralizada, em vez de fazer estruturas burocráticas que estão sujeitas a interesses muito fortes.


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En entrevista para la Open Knowledge Brasil, Santiago Siri cuenta sobre la nueva plataforma de democracia líquida

Está cerca el día en que cualquier ciudadano pueda acompañar votaciones en tiempo real de manera simple, segura y transparente. Esa es una de las posibilidades que promete la plataforma Democracy.Earth, idealizada por los emprendedores argentinos Santiago Siri e Pia Mancini. Descentralización política y tecnología blockchain son algunas de las principales inspiraciones.

Segun Siri, la plataforma tiene dos focos principales: guardar información en un sistema blockchain que asegure que cualquier ciudadano pueda auditar las elecciones sin pedir permiso para accesar a los servidores; y democracia líquida para generar formas de decidir de manera colectiva más inteligentes. “Esperamos lanzar la plataforma en los primeros meses de 2017”, dice.

Acompañe la entrevista de Santiago Siri para la Open Knowledge Brasil sobre esta nueva iniciativa:

Open Knowledge Brasil: Nos gustaría saber cuál es el principal motivo que llevó a crear Democracy.Earth? Por las personas usarían una tecnología como la que ustedes están lanzando?

Santiago: Nuestro primer piloto ha sido un plebiscito digital que hicimos para Colombia a raiz del plebiscito oficial por los acuerdos de paz (plebiscitodigital.co). Nuestro objetivo es avanzar la democracia desarrollando dos aspectos fundamentales: 1) tecnología decentralizada donde la capacidad de auditar los resultados esté en manos de todos los ciudadanos, y 2) formas más avanzadas de decisión colectiva como la democracía líquida y estilos que solo se pueden hacer con software. Estamos trabajando con la misma tecnología que se usa para bitcoin y otras innovaciones que plantean a internet como un nuevo contexto para realizar transacciones de todo tipo online.

Open Knowledge Brasil: Hacer que el ciudadano pueda contar los votos de manera independiente, sin dudas es interesante, pero por cuál motivo alguien haría eso? Santiago: No solamente se trata de implementar votación, sino también permitir la creacion de instituciones 100% digitales que operan sobre una jurisdicción en internet sin reconocimiento de fronteras nacionales de ningún tipo. A eso apunta de raíz innovaciones como el blockchain.

Open Knowledge Brasil: Democracy Earth va a haber algun local que será foco de actuación? Santiago:Estamos implementando pilotos en locaciones especificas para testear la tecnología. El más importante actualmente es en Colombia con plebiscitodigital.co donde queremos involucrar a los Colombianos que viven en el exterior en el referendo para ratificar el proceso de paz iniciado entre el gobierno y las FARC. Apuntamos a toda clase de ámbitos.

Open Knowledge Brasil: Qué asegura la transparencia de la plataforma? Santiago: El uso de tecnología decentralizada es indispensable para garantizar que los votos los pueda contar cualquiera y no una autoridad central que corre el riesgo de ser corrompida.

Open Knowledge Brasil: Como está siendo utilizado Blockchain en la plataforma? Cuál es su importancia? Santiago: Su importancia es total. Nuestra linea de desarrollo esta enfocado particularmente en usar el blockchain de Bitcoin dado que es el más fuerte desde el punto de vista computacional (y por ende el más seguro). Nuestra meta es garantizar que todos los votantes puedan verificar que su voto ha sido contado correctamente sin requerir ninguna clase de permiso de nuestra parte.

Open Knowledge Brasil: Cuáles son los principales desafíos que están enfrentando? Santiago: Trabajar con tecnología decentralizada como el blockchain implica revisar varios conceptos de como construir un software que no dependa de un ‘single point of failure’. A su vez, no solo alcanza con tecnología: es indispensable también construir politica y culturalmente una narrativa afín a lo que implica la democracia en tiempos de internet.

Open Knowledge Brasil: Cómo ustedes creen que la plataforma puede contribuir con la construcción de una forma de gobierno más descentralizada? Santiago: La plataforma no es solamente útil para votar en instituciones existentes, sino que permite también construir nuevas formas institucionales que operan de forma completamente digital usando blockchains para certificar tanto votaciones como transacciones económicas. Esos nuevos modelos institucionales es parte de lo que nos interesa investigar en pos de construir un nuevo modelo de soberanía digital.

Open Knowledge Brasil: Ya conversaron con algunos políticos o líderes sociales? Cómo está siendo el feedback? Santiago: Hemos trabajado mucho con políticos, ONGs, partidos y gobiernos a nivel local y federal en el pasado. Nuestro objetivo es empoderar al ciudadano y no al intermediario, por eso hemos girado nuestra estrategia a favor de usar tecnología decentralizada más que en hacer más eficiente a estructuras burocráticas que ya estan sujetas a intereses muy fuertes.

 

 

 

2 thoughts on “Em entrevista para a OKBR, Santiago Siri fala sobre a nova plataforma de democracia líquida”

  1. Também sou um entusiasta tanto de inovações tecnológicas para implementar a democracia direta e participativa, quanto do blockchain, criptomoedas e procolos descentralizados de tomada de decisão. Por isso, a ideia de um projeto como esse é algo que muito me interessa.

    Entretanto, algumas perguntas relevantes para quem acompanha o assunto não foram feitas.

    Primeiramente, ao contrário do que alguns possam pensar, o blockchain não é um protocolo que dá anonimidade aos seus utilizadores. Ele opera por meio de identificadores que funcionam como pseudônimos. Esses, por sua vez, quando combinados com outras fontes de informação, podem revelar a identidade da pessoa por trás do pseudônimo. Em eleições, é essencial garantir que o eleitor não seja identificado, para impedir que ele seja coagido por alguém a votar a favor de determinado candidato (ou de determinada proposição). Existem grupos que pesquisam protocolos sobre como fazer votações anônimas e seguras usando algoritmos criptográficos, entretanto, esse não é o propósito do blockchain do bitcon. Se o protocolo que está sendo utilizado nesse projeto é realmente o blockchain do bitcoin, como afirmado na matéria, como é possível garantir a não identificação do eleitor?

    Em segundo lugar, existem várias outras tecnologias semelhantes que usam blockchain, tais como o Ethereum, que possibilita, por exemplo o uso de contratos inteligentes (smart contracts). O blockchain do bitcoin é realmente focado em seu uso como criptomoeda. Porque o bitcoin foi escolhido para votações digitais, em vez de outros blockchains, e como se deu essa adaptação a um propósito tão diferente? Quem paga a remuneração da transação nesse uso especifico para plebiscitos?

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