A Open Knowledge Brasil agora aceita doações em bitcoin

Nós, da Open Knowledge Brasil (OKBR), somos uma organização sem fins lucrativos que atua no Brasil (e no mundo inteiro) em prol da abertura de todo tipo de conhecimento (científico, educacional, político, cultural…). Atualmente, recebemos doações de institutos e fundações, mas queremos cada vez mais apostar e fortalecer os mecanismos de microfinanciamento de pessoas físicas, pessoas que acreditam no impacto do nosso trabalho.

Na era da internet, e para o perfil das pessoas que participam da rede da Open Knowledge Brasil, acreditamos que a possibilidade de ajudar a financiar a organização com criptomoedas facilita o processo de colaboração e, principalmente, ajuda a reforçar as políticas de transparência da organização.

“A organização, infelizmente, sem recursos (inclusive financeiros), não funciona. Apesar da organização ter uma estrutura muito leve e enxuta, precisamos de recursos financeiros para a nossa subsistência, para fortalecer e aumentar o impacto do nosso trabalho. Contamos com o engajamento da comunidade da OKBR nesse processo”, conta Ariel Kogan, diretor-executivo da Open Knowledge Brasil.

Entenda melhor o sistema Bitcoin

Conversamos com Peter Krauss, associado efetivo da OKBR, responsável por organizar esse sistema para a organização. Falamos do nosso sistema e também como você pode criar sua conta.

OKBR: Como isso vai funcionar? Peter: É bem simples. Lembra uma transferência entre contas bancárias. A OKBR tem um “Endereço de Carteira Bitcoin”. Quem quiser doar, é só transferir seus bitcoins para nosso endereço-bitcoin. Anote (e doe!), o endereço da nossa carteira é:

13djtV2Lt9XDV3wkzsUgRCX67UpmxM1Lsq

que pode ter as suas transações consultadas neste link do bitref.com, neste outro do blockchain.info ou em qualquer outro — os sites desse tipo apresentam cópias do que seria um diário oficial das carteiras. Todas as carteiras possuem uma face pública para transparência e rastreabilidade do seu histórico de transações.

Nosso endereço-bitcoin também tem uma representação em QR-Code para a divulgação em meio impresso:

(fotografe com o celular mostrará um texto “bitcoin:13dj….Lsq” que é o endereço-bitcoin acima)

Imprimir esse QR-code seria como imprimir um link para o número da conta bancária da OKBR, para recebimento de pagamentos ou doações.

OKBR: Mas e toda essa onda de especulações que ouvimos falar?

Pensando ainda nas contas de banco, é como se as pessoas pelo mundo estivessem super-animadas depositando mais e mais dinheiro nesse “banco”… Isso é bom, significa que esse “banco de bitcoins” não vai falir como diziam alguns até 2013. Para quem não faz investimento, as especulações não afetam. Assim como o dolar tem sua a cotação, na semana passada o bitcoin tinha a dele.

Para entender o interesse e ao mesmo que não há risco, o melhor é relembrar o que é de fato.

Definição de bitcoin Adaptando a definição da Wikipedia inglês, que é uma boa referência para o assunto:

O bitcoin (minúsculo ou abreviado BTC) é uma criptomoeda global e o Bitcoin (maiúsculo) é um sistema de padrões e protocolos (peer-to-peer) para pagamento digital, que implementa o bitcoin. Se destaca por vários motivos das demais iniciativas:

  • foi a primeira moeda digital descentralizada (primeira transação em 2008);
  • opera hoje o com maior quantidade de transações diárias;
  • apresenta hoje maior liquidez (volume no mercado de câmbio);
  • todos os seus protocolos e algoritmos possuem licença livre desde 2009.

Para você ter os seus Bitcoins, é preciso montar a sua “carteira de bitcoins”. Não se pode comprar Bitcoins como se compram dólares ou ouro, é preciso ter onde guardar e definir quem é o dono. Ao contrário do dinheiro comum, que pode ser escondido como tesouro, não existe Bitcoin sem dono.

Entradas e saídas da sua Carteira Bitcoin (transações) são gravadas em uma espécie de “diário oficial das transações em bitcoins”, que fica eternamente gravado com cópias e testemunhas pela internet, é o chamado “Blockchain do Bitcoin”. Alguns portais, como o blockchain.info, publicam na internet uma transcrição atualizada (tipicamente a cada segundo) dos registros de saldo, entradas e saídas das milhares de carteiras-bitcoin existentes.

Uma descrição didática dos fundamentos do blockchain é apresentada neste artigo (recomendo!). Essa forma inovadora de lidar com a transparência das transações financeiras está revolucionando os sistemas bancários e inspirando dezenas de outras aplicações — a mais famosa é o Ethereum, que foi além e implementou além da moeda, a infraestrutura para contratos inteligentes.

Em 2016, apoiamos o VotoLegal, que faz uso indireto de blockchains. As aplicações que mais aguardamos na OKBR é a votação online segura e descentralizada e, para uso em diários oficiais, a datação autenticada.

Na prática, o que se publica para todo mundo ver, e é suficiente para proporcionar rastreabilidade (!), é um hash criptográfico (mais especificamente o “double SHA-256”) dos seus metadados e os dados da transação.

OKBR: O que a pessoa precisa fazer para ter bitcoin? 

Peter: É fácil: basta criar a sua própria carteira. Para recheá-la, é uma questão de divulgar seu endereço para pedir doações ou pagamentos, ou comprar seus primeiros bitcoins em uma das diversas “casas de câmbio” (exchangers cobram de 0,1% a 1%) da Internet.

As carteiras cumprem um protocolo aberto e seus dados também são armazenados dentro de um padrão aberto, mas o software de interface da carteira pode variar bastante e ser inclusive um software-proprietário (exclusivo do fornecedor), um hardware ou um serviço online.

Há dezenas de fornecedores e de opções para obter sua carteira. As carteiras Web são gratuitas e as mais usadas por iniciantes. A escolha que fizemos de fornecedor foi baseada na seguinte “metodologia” que até recomendo: 1) conferir na internet os fornecedores mais populares e sua crítica em sites neutros como a Wikipedia; 2) conferir com pessoas de sua confiança já usuárias do sistema Bitcoin, o que acham da confiabilidade daquele fornecedor.

Uma vez decidido o fornecedor, é só iniciar o processo de cadastro nele. Na hora de cadastrar, use rede e computador de confiança, com opção “janela privativa” no navegador. É tudo bem simples, mas não se deve desdenhar do cadastro por sua simplicidade. É coisa séria. Requer atenção e dados corretos. Atenção redobrada quanto ao chamado “ID da carteira” (secreto) e às senhas: sem elas você perde tudo! Não tem como ligar para um gerente e recuperar a senha: não existe isso com Bitcoins.

E não é recomendado guardar as senhas num arquivo digital, o papelzinho (imprima os QR-codes do ID e do endereço) no “cofre” físico é melhor e mais barato. Ideal dividir a guarda com outra pessoa da mais alta confiança (como mãe, cônjuge ou sócio), guardando em dois lugares distintos, igualmente secretos e seguros. Teste pelo menos uma vez (entrar e sair da carteira) o que anotou no papel.

 


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