Resultados do Índice de Dados Abertos sugerem que é preciso avançar na transparência municipal

Apenas 1 em cada 4 bases de dados avaliadas pelo Índice de Dados Abertos de 2018 está 100% aberta. Esse é um dos resultados do estudo realizado pela Open Knowledge Brasil e pela Diretoria de Análise de Políticas Públicas da Fundação Getúlio Vargas (DAPP/FGV) com o objetivo de avaliar o estado da política de dados abertos nos municípios.

O índice leva em consideração o tipo de dado que é divulgado, os formatos, a facilidade de acesso e a transformação dos dados em informação, entre outros. E avalia dimensões como finanças públicas, dados socioeconômicos, legislativos e eleitorais, serviços públicos, informações geolocalizadas e indicadores ambientais. Além disso, oferece um parâmetro de referência sobre a capacidade dos governos de fornecer dados abertos, compreensíveis e fáceis de serem usados.

Belo Horizonte, Brasília, Natal, Porto Alegre, Rio de Janeiro, Salvador, São Paulo e Uberlândia foram as cidades analisadas por esta fase do levantamento, que detectou deficiência na liberação de dados em todos os municípios avaliados. As avaliações ficaram a cargo de líderes locais que, ao longo do ano de 2017, contaram com capacitação e suporte das equipes da Open Knowledge e da Diretoria de Análise de Políticas Públicas da Fundação Getúlio Vargas (FGV/DAPP).

São Paulo e Rio de Janeiro já participaram da primeira edição do índice, divulgada em 2017, mas tiveram poucos avanços em relação ao resultado anterior.

Ainda assim, São Paulo é a cidade com a maior quantidade de bases de dados disponibilizadas em formato aberto, e a cidade considerada mais aberta pelo levantamento, que aponta Salvador como a que menos disponibiliza dados abertos.

Sobre as dimensões de dados avaliadas, registro de empresas, transporte público, qualidade da água, compras públicas e atividade legislativa foram conjuntos de dados que não obtiveram nota máxima em nenhuma cidade avaliada. E mais da metade delas também não disponibiliza dados sobre qualidade do ar, registro de empresas e propriedade da terra.

O estudo também constatou problemas em relação à usabilidade dos dados, sugerindo necessidade de sua adequação para uso voltado à transformação efetiva em informação.

“Transparência na prática significa a abertura de dados públicos. Uma agenda fundamental para fortalecer o combate à corrupção e diminuir a desinformação e polarização que sofre a sociedade. Abrir e disponibilizar dados públicos possibilita uma participação cidadã mais efetiva e qualificada no processo de elaboração e execução de políticas públicas, permitindo o monitoramento dos resultados. A qualidade da informação e, principalmente, como as instituições públicas publicam os dados, diz respeito a transparência e eficiência da gestão pública e, em última instância, ao aprimoramento do próprio sistema democrático”, afirma Ariel Kogan, coordenador do Índice e conselheiro da Open Knowledge Brasil.

Eventos de lançamento do Índice

Ao longo do mês, cidades que participaram do levantamento promovem eventos para debater seus resultados. Hoje, o Índice foi lançado em São Paulo, no Plenário da Câmara Municipal, com a participação do secretário municipal de educação Alexandre Schneider e do vereador Police Neto. Confira a agenda prevista, que conta com eventos já nesta semana em Salvador, Porto Alegre, Brasília e Rio de Janeiro.

 

4 thoughts on “Resultados do Índice de Dados Abertos sugerem que é preciso avançar na transparência municipal”

  1. E porque nao buscar as pequenas cidades e compilar os dados. Minha cidade natal, Rio Doce/MG, foi ranqueada em 1°lugar no programa transparencia Brasil do Governo Federal, é bem gerida ha duas décadas mas não oferece emprego e renda a seus habitantes. Acredito que seja pertinente buscar informações e quem sabe ajudar a traçar alternativas para o desenvolvimento e progresso dos municípios com pequenas populações. No caso, Rio Doce contempla apenas 2611 habitantes. Desde ja agradeço a atenção dispensada, certo de um retorno.

    1. É o nosso plano para as próximas edições do Índice, Eduardo. Como explicamos acima, a coleta dos dados é feita por líderes locais, que após treinamento da DAPP com a OKBR, ajudam a revelar o estado dos dados em cada cidade. É bom saber que há mais interessados em municípios pequenos! :)

      1. Há interessados de todo o Brasil, eu sou de Blumenau SC e já sofri ataque em minha folha de pagamento sem justificativa plausível. Normal. Que continuem os ataques, pois assim, sei que estou no caminho certo. Constantemente faço posts em meu Facebook analisando algumas informações que estão na Transparência mas não CLARAMENTE PUBLICADAS, compreende? Analisando dados de Demonstrações Financeiras é possível estabelecer parâmetros de análise sobre as informações e sobre as decisões tomadas pelos ditos “Gestores da Máquina Pública”. Tenho feito constantes críticas, tenho buscado, mas sinto que a população, de modo geral, dorme. Infelizmente. Que seu trabalho se multiplique! Vcs fornecem a verdade e para tanto, sempre poderão conta com a ajuda do Criador.

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado Campos obrigatórios são marcados *