Como foi 2018 para a Open Knowledge Brasil?

O ano de 2018 foi de grande evolução para a Open Knowledge Brasil do ponto de vista institucional. Sob nova liderança e com uma nova equipe, fruto da entrada do time da Operação Serenata de Amor, dedicamos tempo a fortalecer nossa visão estratégica e nossas linhas programáticas, com o objetivo de posicionar a organização na vanguarda do movimento por conhecimento aberto. Conseguimos alcançar esse objetivo de três formas: 1) Com a intensificação de  projetos e atividades com alto potencial de impacto e com o DNA da Open Knowledge, 2) nas parcerias e coalizões firmadas com órgãos de controle do setor público, visando a uma maior colaboração em escala, e 3) na participação em eventos relevantes e menções na mídia para pautar o debate nacional em torno de temas como transparência e controle social.

Confira o relatório completo de atividades 2018 da Open Knowledge Brasil

Entendemos o enorme valor da tecnologia e da utilização de dados abertos para o fortalecimento da governança democrática. Por essa razão, centramos nossos esforços na estruturação do programa de ciência de dados para inovação cívica, que lançou quatro novos projetos: Perfil Político, Querido Diário, Vítimas da Intolerância e Queremos Saber.

Ampliamos também as nossas ações de articulação e advocacy. Emitimos sete posicionamentos públicos com outras organizações, em especial sobre temas relacionados a transparência e governança aberta. Assinamos parcerias com órgãos públicos, como o Tribunal de Contas da União e a Controladoria Geral da União e participamos ativamente de coalizões como a Rede pela Transparência e Participação Social e o Pacto pela Democracia.

A Escola de Dados, nosso programa de alfabetização em dados, realizou a terceira edição do principal evento de jornalismo de dados e métodos digitais do Brasil –  o Coda.Br 2018, que contou com a presença de mais de 300 pessoas em São Paulo, em novembro. A Escola de Dados também expandiu seu cardápio de cursos e lançou novos tutoriais online.  Além disso, passou a fomentar o desenvolvimento de comunidades interdisciplinares para pensar desafios e projetos guiados por dados com impacto social, em um ambiente informal e descontraído: as Cervejas com Dados. Foram 18 edições do evento em 10 cidades, reunindo ao longo do ano cerca de 700 participantes.

Participamos de mais de 20 eventos pelo Brasil, realizados por parceiros da academia, da sociedade civil e de governos. Isso nos permitiu ampliar o alcance dos nossos projetos e costurar novas frentes de trabalho com mais entidades públicas e privadas.

O resultado da comunicação acompanhou o ritmo das demais frentes da Open Knowledge. Tivemos uma atuação mais consistente nas redes sociais, voltada a apresentar nossa visão e nossos projetos e atividades, e mais aparições na grande mídia, inclusive em telejornais. Participamos ou fomos explicitamente citados em oito programas de TV, sendo três deles na TV Globo – um no Jornal Nacional, três na GloboNews, um na TV Al Jazeera e outro na Rede Record. Com isso, conseguimos pautar, com um alcance de milhões de brasileiros, temas como fiscalização das campanhas eleitorais, aumento da violência por motivação política, desafios para avançar nas políticas de abertura de dados e outros.

Foi também um ano de grandes desafios. O fraco desempenho das atividades econômicas, aliado ao cenário de crise política impulsionada pelo processo de impeachment e pelas consecutivas fases da Operação Lava-Jato, minaram a confiança nas instituições públicas e nos atores sociais. A onda de populismo e ações antidemocráticas que se espalham ao redor do mundo ganharam força no Brasil, em especial durante as eleições, marcadas pela polarização e pela desinformação.

O papel da Open Knowledge nessa conjuntura é de incentivar a participação social em prol da garantia de direitos e fortalecer a relação da sociedade civil com instituições públicas. O apoio a uma cidadania ativa é um caminho para a retomada da confiança no país. E isso só é possível se pressionarmos por mais transparência do poder.

Os desafios para 2019 estão postos. Transparência, dados abertos e tecnologia cívica serão temas transversais a todos eles, e vamos fortalecer nossa atuação para multiplicar experiências relevantes nestes temas. Demonstrar o valor de uma sociedade aberta e justa é o que orienta a contribuição da Open Knowledge Brasil nos anos que estão por vir.

Natália Mazotte, Diretora-Executiva

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